A simplicidade de viver de Lya Luft

Sorriso fácil, palavras sinceras, livros que tocam milhares de leitores. Aos 74 anos, a escritora gaúcha Lya Luft vive em harmonia consigo mesma e com os outros. Gosta de ficar no silêncio da casa, em Porto Alegre, assistindo a bons filmes e, claro, lendo bons livros. Nos finais de semana, refugia-se com o marido em um sítio, no meio do mato, na Serra Gaúcha. De bem com a vida, a autora de mais de 27 obras literárias, entre elas Perdas e Ganhos (2003), ensina: “A vida chama e é rica, e profunda, e alegre ou triste, mas tem de ser a vida de cada um”.

Aos 74 anos, a impressão que temos é que és uma pessoa que vive bem consigo. De onde vem tamanha serenidade?

Lya Luft – Não há serenidade, pura impressão. Mas, com o passar dos anos, acho que fui ficando menos ansiosa, menos angustiada, mais centrada e mais em harmonia comigo, os outros, a natureza. Essa é uma busca minha para a velhice.

Lya, nos conta um pouco da tua rotina. Sabemos que és uma mulher em busca, cada vez mais, de simplicidade.

Lya Luft – Rotina supersimples. Meu marido e eu acordamos cedo, 6h ou 6h30min, tomamos um café bem frugal, olhamos um pouco de notícias e jornais. Depois, ele vai a seu escritório, e eu fico em casa. Supermercado, em geral, é por telefone. Quando dá, dou uma caminhada com minha cachorrinha pug chamada Meg, depois fico lendo, preguiçando, mexendo no computador, respondendo email, falando com amigas, filhos, enfim. Sextas-feiras, habitualmente de manhã, fugimos para a nossa casinha em Gramado, no meio do mato. Saio pouco, prefiro ver bons filmes na televisão, DVDs, assisto a muitos noticiários, entrevistas.

Tu orientaste, durante algum tempo, grupos de discussão sobre maturidade. Como foi essa experiência?

Lya Luft – Foi com uma amiga, a excelente terapeuta Martha Herzberg. Tivemos, por um ano ou dois, pequenos grupos falando sobre passagem do tempo, maturidade, etc. Foi uma grande experiência, aprendi muito. Impressionante quanto deixamos de curtir o presente, agarradas ao mito da juventude eterna. Minha mãe, que morreu aos 90 anos, dizia quando lhe falavam em recursos para se manter jovem: “Eu não quero ser jovem, quero ser normal”. É um dos meus lemas.

Qual a sua dica para viver de bem com a vida, independentemente da idade?

Lya Luft – Procurar gostar de si, curtir o presente, cultivar afetos e amizades, admirar a natureza, ler bons livros, ver bons filmes. Sei lá: cada um sabe o que lhe faz bem.

Quando os leitores serão novamente brindados com a
tua literatura, repleta de encanto ao jogar com as palavras e com os personagens, criando, inventando, tramando e sondando o insondável?

Lya Luft – Penso num livro sobre a passagem do tempo. Por enquanto, sem título. Mais tarde, reunir de novo poemas espalhados, não sei. Depende do que quiser ser escrito.

Lya, podes deixar um recado para os leitores da Nex Day, neste início de ano?

Lya Luft – Deixe de ser bobo ou boba procurando o impossível, o fútil. A vida chama e é rica, e profunda, e alegre ou triste, mas tem de ser a vida de cada um. Não das pobres celebridades….

Gostou? Confira a entrevista completa aqui.

Foto: Liane Neves

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